|
O FAROL DAS LETRAS |
![]() |
![]() ![]() ![]() Agnaldo Silva Alyne Lourenço Cosacnaify Gloria F. Perez Desencontros Felizes Santiago Nazarian Devaneia-se Rick Riordan Pensamentos da Noite Que tal? Songs By Karina Jücca de Melo ![]() |
Versos de minuto
Ela, feitiço em lábios vermelhos; Sedutora saudade a espreitar a alma. Sem pulso criativo, desespero e só. Queria um poema: tormento; veio ausência, espaço. Cruzar de pernas à mesa de bar, sorriso fugitivo. Tédio de tanto sentir sem dizer, e perder todo este instante: nada. ![]() Deixa rolar
Dentro de mim gira o pensamento enfim que dela me trouxe vontade e leva saudade flutuando por entre as nuvens deste pensamento tortuoso. Cigarras gritam em sinfonia a manhã da Primavera que invande aquecendo o peito do poeta a descançar beira-a-fonte, enquanto risca o chão verde-esperança. Vivido o inocente profanado, no altar do templo-peito, chamando de tudo as sementes que rompem o chão batido. Como dizem os inocentes amantes, tão pequenos em ser, grandes em querer: - deixa rolar! E, como bolhas de sabão, vão encontrar lá no desejo a t e r n i d a d e ! Ah, que felicidade! Sentir que está vivo, criança. ![]() Ao tempo
É preciso tempo: tempo pra crescer, tempo pra sentir que tem tempo. E deixar o tempo pôr a desordem no lugar, e deixar os corações pulsando em compasso. Não há tempo pra esquecer de dizer que ama; não há! Pois, tão cedo amanhece, o tempo leva de ti o arrepio. Não tenhas medo do tempo, este infeliz irredutível: não gires os ponteiros com a pressa da presa ante a fera. Não deixes pra amanhã o que é preciso ser dito neste exato momento do tempo. Não desenhes heróis imaginários em pensamentos abstratos, por teres medo do concreto, deste chão chamado vida em que pisas. Não deixes assombrar pelos fantasmas do fracasso... não deixes! Diga aquilo que é preciso ser dito: que amar a vida sem tempo é infinitesimal. E antes que a coluna dobre sobre o adversário, é preciso que se viva intensamente de braços abertos ao tempo. ![]() Crônica do primeiro amor
O
caminho do trabalho a casa me trouxe uma memória muito grata: o meu primeiro
amor. Lembrei-me da quinta série (sexto ano), da sala de aula com seus trinta e
seis alunos, jovens adolescentes; e da garota que enfeitiçou meu coração
juvenil. O nome dela: Monique. Linda! Cabelos loiros, pele branca, sorriso
fantástico, nariz perfeitamente delineado, olhos verdes (e como amo olhos
verdes!). E inteligente! Afinal, uma mulher inteligente, mesmo que na mais
tenra idade, é algo extremamente sedutor: abre caminhos para o diálogo. Eu? Ah!
Estranhamente, tímido. Sem óculos, mais cabelos do que normalmente (o tempo
derruba os seres humanos pouco a pouco), um tanto inteligente, vestindo o
uniforme passado no final de semana. A quinta série c, tudo eram novidades para
mim. A escola eu já conhecia, fiz o ensino fundamental inteiro nela. Eu sentava
três carteiras a frente dela. Éramos, no começo, bons amigos. Mas, então,
passou a primeira carta: papel tirado do caderno, com as letras tortas e
coloridas, e um cheirinho gostoso de maçã verde. Naquele pedaço de papel,
histórias, que não lembro mais (talvez algo infantil, mas o amor tem de ser
infantil, para ser memória), eram compartilhadas. A paixão havia tomado à sala
de assalto: eu estava amando. O coração acelerado cada vez que eu a via, as
mãos juntinhas no intervalo, o brilho nos olhos... Inúmeras cartas de
admiração. Beijar? Não! Era amor de ficar juntinho, de querer estar
acompanhados, de descobrimentos. Inocente. Sem preocupações ou cobranças
adultas. Vivo! Durante vários anos, dividimos as experiências que a vida vai
lentamente depositando em nossos ombros. Quando vi, estávamos na oitava série,
e, por tanto, minha vida, a partir daquele momento, começava a querer me levar
para outros cantos, proporcionar tantos encantos. A separação é muito chata, destrói
o peito, faz a dor verter em lágrimas. Mas, amor com cobranças mata o
calorzinho que enche o canto dos olhos de querer mais. Não queria voltar no
tempo... Não! A Monique me fez muito feliz, permitiu que o menino fosse
transformado em homem. Ela me fez querer gostar ainda mais das mulheres (a mais
gostosa é aquela que te faz mais feliz, e não aquela com o delinear perfeito do
corpo (este a natureza leva)). Sei que, onde quer que ela esteja, a vida foi
contente com ela, e a tornou mulher grandiosa: cheia de vida. O metrô estava
cheio. Enquanto olhava pela janela, cansado por causado do trabalho, via-me
naquela sala de aula mais uma vez. Ouvia a professora fazer a chamada, os meus
colegas ocuparem as carteiras vazias. Sentia o toque dos dedos juvenis da musa
inspiradora ao segurar o braço esquerdo do poeta canhoto. Depois da quinta
série, o amor tornou-se mais intenso, menos inocente. O amor mostrou sua face
amarga; o quão cruel pode ser estar junto e ter de partir. O amor nunca mais
foi aquele, porque só há um amor de quinta série, só há uma vez na vida para
tudo aquilo que se é feito pela primeira vez.
Era
o tempo e nada mais!
![]() Versos de minuto
Luz estranha luz sobre esta mesa, raio inclinado de esperança, espantando os fantasmas que gesticulam loucamente, num aceno, Oh! Deus!, sufocante! Estranha luz estranha É a manhã que se estreita pelas frestas da janela: consciência. ![]() Versos de minuto
esticou os braços e disse: vá, poeta! E toda a nuvem de loucura foi desfeita; os nós foram desfeitos; os beijos foram selados; a imaginação abriu-se num leque de mil palavras... Se se faz amor, o pôr do Sol estica-se no horizonte do amanhã! Vira-se a página do de repente, enquanto ela caminha lentamente pra fora da mente: Explode coração em tinta sobre o papel branco. ![]() Versos de minuto
Se o silêncio corta a garganta, as ruas se enchem de esperança; posto o poeta em turbulência, anseia a alma uma ciência que explique as coisas deste mundo. Retumbar de sonhos enjoativos! Tempestades de nós mesmos! Seres humanos despresíveis, destituídos de Alma; sobra corpo de mais...! Homens partidos de dentro pra fora, rompe-se a manhã por entre as pernas, sangra a pele do sol matinal; ora, é imundo este reciptáculo de pedras! Vázio, pulsante coração a deitar sobre longas avenidas azuis o fluxo contínuo do cotidiano. São Paulo sorri partindo, e, ó Deus, de que valem tantas dores?! ![]() |
![]() ![]() |