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"Um mar de possibilidades, onde a voz do escritor ecoa sobre as ondas"...
Luiz Carlos Dias, Professor.


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Versos de minuto



Ela, feitiço em lábios vermelhos;
Sedutora saudade a espreitar a alma.
Sem pulso criativo, desespero e só.
Queria um poema: tormento;
veio ausência, espaço.
Cruzar de pernas à mesa de bar,
sorriso fugitivo.
Tédio de tanto sentir sem dizer,
e perder todo este instante: nada.




Deixa rolar





Dentro de mim
gira o pensamento enfim
que dela me trouxe vontade
e leva saudade flutuando
por entre as nuvens
deste pensamento tortuoso.
Cigarras gritam em sinfonia
a manhã da Primavera que invande
aquecendo o peito do poeta
a descançar beira-a-fonte,
enquanto risca o chão verde-esperança.
Vivido o inocente profanado,
no altar do templo-peito,
chamando de tudo as sementes
que rompem o chão batido.
Como dizem os inocentes
amantes, tão pequenos em ser,
grandes em querer: - deixa rolar!
E, como bolhas de sabão, vão
encontrar lá no desejo a
t
e
r
n
i
d
a
d
e
!
Ah, que felicidade!
Sentir que está vivo,
criança.




Ao tempo



É preciso tempo:
tempo pra crescer,
tempo pra sentir
que tem tempo.

E deixar o tempo pôr
a desordem no lugar,
e deixar os corações
pulsando em compasso.

Não há tempo pra esquecer
de dizer que ama; não há!
Pois, tão cedo amanhece,
o tempo leva de ti o arrepio.

Não tenhas medo do tempo,
este infeliz irredutível:
não gires os ponteiros com
a pressa da presa ante a fera.

Não deixes pra amanhã
o que é preciso ser
dito neste exato
momento do tempo.

Não desenhes heróis imaginários
em pensamentos abstratos, por
teres medo do concreto, deste
chão chamado vida em que pisas.

Não deixes assombrar pelos
fantasmas do fracasso... não deixes!
Diga aquilo que é preciso ser dito:
que amar a vida sem tempo é infinitesimal.

E antes que a coluna dobre
sobre o adversário,
é preciso que se viva
intensamente de braços abertos

ao tempo.




Crônica do primeiro amor


O caminho do trabalho a casa me trouxe uma memória muito grata: o meu primeiro amor. Lembrei-me da quinta série (sexto ano), da sala de aula com seus trinta e seis alunos, jovens adolescentes; e da garota que enfeitiçou meu coração juvenil. O nome dela: Monique. Linda! Cabelos loiros, pele branca, sorriso fantástico, nariz perfeitamente delineado, olhos verdes (e como amo olhos verdes!). E inteligente! Afinal, uma mulher inteligente, mesmo que na mais tenra idade, é algo extremamente sedutor: abre caminhos para o diálogo. Eu? Ah! Estranhamente, tímido. Sem óculos, mais cabelos do que normalmente (o tempo derruba os seres humanos pouco a pouco), um tanto inteligente, vestindo o uniforme passado no final de semana. A quinta série c, tudo eram novidades para mim. A escola eu já conhecia, fiz o ensino fundamental inteiro nela. Eu sentava três carteiras a frente dela. Éramos, no começo, bons amigos. Mas, então, passou a primeira carta: papel tirado do caderno, com as letras tortas e coloridas, e um cheirinho gostoso de maçã verde. Naquele pedaço de papel, histórias, que não lembro mais (talvez algo infantil, mas o amor tem de ser infantil, para ser memória), eram compartilhadas. A paixão havia tomado à sala de assalto: eu estava amando. O coração acelerado cada vez que eu a via, as mãos juntinhas no intervalo, o brilho nos olhos... Inúmeras cartas de admiração. Beijar? Não! Era amor de ficar juntinho, de querer estar acompanhados, de descobrimentos. Inocente. Sem preocupações ou cobranças adultas. Vivo! Durante vários anos, dividimos as experiências que a vida vai lentamente depositando em nossos ombros. Quando vi, estávamos na oitava série, e, por tanto, minha vida, a partir daquele momento, começava a querer me levar para outros cantos, proporcionar tantos encantos. A separação é muito chata, destrói o peito, faz a dor verter em lágrimas. Mas, amor com cobranças mata o calorzinho que enche o canto dos olhos de querer mais. Não queria voltar no tempo... Não! A Monique me fez muito feliz, permitiu que o menino fosse transformado em homem. Ela me fez querer gostar ainda mais das mulheres (a mais gostosa é aquela que te faz mais feliz, e não aquela com o delinear perfeito do corpo (este a natureza leva)). Sei que, onde quer que ela esteja, a vida foi contente com ela, e a tornou mulher grandiosa: cheia de vida. O metrô estava cheio. Enquanto olhava pela janela, cansado por causado do trabalho, via-me naquela sala de aula mais uma vez. Ouvia a professora fazer a chamada, os meus colegas ocuparem as carteiras vazias. Sentia o toque dos dedos juvenis da musa inspiradora ao segurar o braço esquerdo do poeta canhoto. Depois da quinta série, o amor tornou-se mais intenso, menos inocente. O amor mostrou sua face amarga; o quão cruel pode ser estar junto e ter de partir. O amor nunca mais foi aquele, porque só há um amor de quinta série, só há uma vez na vida para tudo aquilo que se é feito pela primeira vez.
Era o tempo e nada mais!




Versos de minuto



Luz
     estranha
                 luz

sobre esta mesa,
raio inclinado de esperança,
espantando os fantasmas que gesticulam
loucamente, num aceno, Oh! Deus!, sufocante!

Estranha
            luz
                estranha

É a manhã que se estreita pelas frestas da janela: consciência.




Versos de minuto

Ela cercou-me com seus sorrisos brancos, 
esticou os braços e disse: vá, poeta! 
E toda a nuvem de loucura foi desfeita; 
os nós foram desfeitos; 
os beijos foram selados;
a imaginação abriu-se 
num leque de mil palavras... 
Se se faz amor, 
o pôr do Sol estica-se 
no horizonte do amanhã!
Vira-se a página do de repente,
enquanto ela caminha lentamente
pra fora da mente:
Explode coração em tinta 
sobre o papel branco.



Versos de minuto


Se o silêncio corta a garganta,
as ruas se enchem de esperança;
posto o poeta em turbulência,
anseia a alma uma ciência
que explique as coisas deste mundo.

Retumbar de sonhos enjoativos!
Tempestades de nós mesmos!
Seres humanos despresíveis,
destituídos de Alma; sobra corpo de mais...!

Homens partidos de dentro pra fora,
rompe-se a manhã por entre as pernas,
sangra a pele do sol matinal; ora,
é imundo este reciptáculo de pedras!

Vázio, pulsante coração a deitar sobre
longas avenidas azuis o fluxo contínuo
do cotidiano. São Paulo sorri partindo,
e, ó Deus, de que valem tantas dores?!





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